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CHIOC • Coleção Helmintológica do Instituto Oswaldo Cruz

Histórico

A CHIOC foi referida como coleção pela primeira vez por Faria & Travassos (1913). Rego et al. (1979) registraram 719 tipos de helmintos. A lista inicial de holótipos da CHIOC, publicada nas Atas da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, foi atualizada até 2016 adicionando 423 espécies-tipo, publicadas em três catálogos na ZooKeys (Lopes et al., 2016, 2017a, b). Atualmente, está em execução um projeto para documentação fotográfica dos holótipos. No início dos anos 80 foi citada no "A Guide to the Parasite Collections of the World" (Rêgo, 1982) e no século XXI no "Guide to Helminthological Collection of Latin America" (Knoff et al. 2010). Em 1991, tornou-se reconhecida como uma coleção institucional. A sua história se confunde com a própria história do Laboratório de Helmintos Parasitos de Vertebrados do IOC, que teve início com os trabalhos de campo de Gomes de Faria e seu discípulo Lauro Pereira Travassos, além de depósitos realizados por pesquisadores da época, como Adolpho Lutz, Oswaldo Cruz, Gaspar Viana, entre outros. O seu acervo foi aumentando com a incorporação das coleções particulares e institucionais do final do século XIX e início do século XX (Noronha, 2004, Noronha et al. 2004, 2009).

Em 2000, centenário do Instituto Oswaldo Cruz, a página web da CHIOC foi disponibilizada ao público pela primeira vez. Em 2003, deu-se início a restruturação de um novo banco de dados informatizado. No ano de 2005 a Coleção foi incluída no cadastro de coleções zoológicas do Brasil organizado pelo Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA). No mesmo ano foi credenciada, junto com outras coleções, como fiel depositária do patrimônio genético brasileiro.

O acervo entre os anos de 1913 e 2007 era constituído por exemplares preservados em material permanente (entre lâmina e lamínula) ou em meio líquido, acondicionados em armários e gavetas confeccionados de madeira, construídos no início do século XX. Entre fevereiro de 2007 e março de 2008, contando com o suporte financeiro oriundo de projeto BNDES, visando o apoio a projetos de preservação de acervos, foram feitas obras de restauração e reestruturação do espaço físico, adequando o mesmo para atender a implementação de armários de aço deslizantes atuais, modernizando o acondicionamento do acervo.

Desde 2006 a CHIOC tem contado com o apoio das Câmaras Técnicas de Coleções Biológicas da Fiocruz e IOC, que têm como meta garantir as condições para que os serviços, os materiais biológicos e informações associadas ofertados pelas coleções à rede de vigilância epidemiológica, academia e indústria, sejam de qualidade. Para isso os procedimentos têm sido padronizados, com foco principal na gestão da qualidade de dados e informações destas coleções, e assim garantir que elas também cumpram seu objetivo, o de repositórios da biodiversidade. Desde então há um esforço continuo para modernizar e adequar a CHIOC aos procedimentos operacionais padrões necessários às normas internacionais de qualidade, biossegurança e ambiental e na ampla difusão on-line das informações do acervo.

A CHIOC conta também com uma biblioteca especializada em helmintologia, com obras que foram publicadas desde o século XIX. Tendo como destaque a guarda dos livros de necropsias de Gomes de Faria, Travassos e Teixeira de Freitas e os volumes impressos do periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, desde o primeiro volume até o de 2013. No início de 2017 a biblioteca da CHIOC foi contemplada com o suporte financeiro oriundo de projeto BNDES-PRESERVO, com armários de aço deslizantes, modernizando o acondicionamento do acervo.

Histórico dos Curadores

José Gomes de Faria
(20/05/1887 - 09/08/1962)

Médico pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, em 1908. Estudante com 16 anos submete-se a experiências que mostrassem a via de infecção de Necator americanus, em conjunto a Miguel Raul Feitosa, orientados pelo Dr. Antonio Austragésilo. Os resultados receberam elogios de A. Loss e de E. Brumpt, no livro Précis de Parasiologie. Em 30/05/1906 foi admitido no Instituto Soroterápico Federal por Oswaldo Cruz. Em 1909 organizou no Instituto o primeiro serviço para atender aos casos de helmintoses, iniciando o Laboratório de Helmintologia, mais tarde Secção de Helmintologia. Travassos o considerava como grande incentivador da Helmintologia no Instituto (Travassos, 1962). Acompanhou várias expedições sanitárias de Oswaldo Cruz, para sanear os problemas de saúde da época, necropsiando e coletando helmintos e outros parasitos. Em 1911, no laboratório, recém formado, publicou 4 trabalhos com 4 espécies novas sobre trematódeos digenéticos, um estudo estatístico de parasitoses intestinais em crianças no Rio de Janeiro. Em 1913, recebeu em seu laboratório Lauro Pereira Travassos e publicaram inicialmente 2 trabalhos sobre o pentastomídeo Linguatula serrata (Froelich, 1789) (Faria & Travassos, 1913). Quanto ao estudo dos nematóides, descreveu a espécie Ancylostoma braziliense Faria, 1910 e publicou sobre o estudo da morfologia, sistemática e biologia dos ancilóstomos com seu discípulo Travassos. O acervo inicial da CHIOC é, em sua maioria, resultado das suas necropsias. A partir de 1914, dedica-se a outros estudos de biologia. Permaneceu no Instituto Oswaldo Cruz até 4/10/1944 (Castro, 1963).

Lauro Pereira Travassos
(02/07/1890 - 20/11/1970)

Médico, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1913). Natural de Angra dos Reis, RJ. Ainda estudante, freqüentou o antigo Instituto Soroterápico Federal do Rio de Janeiro orientado por Oswaldo Cruz (um de seus primeiros discípulos). Em 1912 fez parte da comissão que estudou as epizootias nos rebanhos de Botucatu, SP. Em 1913, orientado por Gomes de Faria publicou seu primeiro trabalho em helmintologia, Linguatula serrata (Froelich, 1879), parasitando o homem. Em 1915 assumiu o comando do Departamento de Helmintologia e a curadoria da Coleção Helmintológica. Em 1926, assumiu a Cátedra de Parasitologia da Faculdade de Medicina de São Paulo. Em 1929 a convite de Fülleborn, foi lecionar no Tropen Institut em Hamburgo. Na década de 30 foi professor na cadeira de Zoologia Médica e Parasitologia da Escola Nacional de Veterinária, hoje UFRRJ, onde lecionou até 1937. Participou da criação da Universidade do Distrito Federal, hoje UERJ. Entre sua numerosa obra deixou um livro até hoje consultado: Introdução ao estudo da Helmintologia. Travassos criou a “Escola Brasileira de Helmintologia” que simbolizou uma época. Pelo conteúdo de seus trabalhos, foi distinguido ao nível internacional com admiração de seus pares. Descreveu centenas de espécies novas, publicou mais de 430 trabalhos científicos. Fez inúmeras excursões, com sua equipe, coletava todo o material possível. Quando regressava ao IOC, estudava exaustivamente o material coletado e o publicava, enriquecendo assim a já famosa Coleção Helmintológica. Fez discípulos na Helmintologia e na Entomologia. O núcleo inicial era formado por César Pinto, Jayme Lins de Almeida e Manoel Cavalcante Proença, e depois por Hugo Souza Lopes, Herman Lent e João Ferreira Teixeira de Freitas. Seguidos por Domingos Arthur Machado Filho, Sebastião José de Oliveira, Zeferino Vaz, Paulo Artigas, Clemente Pereira, Newton Dias dos Santos, Henry Pearson, Romualdo Ferreira D"Almeida, José Oiticica Filho e Alfredo Rey do Rego Barros. Mais tarde este núcleo foi constituído por Rita Kloss, Dirce Lacombe, Jayade de Mendonça, Paulo Bührnheim, Anna Kohn, Henrique de Oliveira Rodrigues, Amílcar Arandas Rêgo, Sylvio Celso Gonçalves da Costa, Sérgio Fragoso, Catarina da Silva Motta, Delir Corrêa Gomes, Joaquim Júlio Vicente, Dely Noronha.

João Ferreira Teixeira de Freitas
(15/03/1912 - 10/04/1970)

Médico, formado pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro em 1934. Natural do Rio de Janeiro. Ainda como estudante de Medicina se matriculou no Curso de Aplicação do IOC. E se formou em 1932. Foi contratado como pesquisador do IOC em 1936. Foi um dos mais brilhantes discípulos de Lauro Travassos e um de seus maiores colaboradores em trabalhos helmintológicos. Substitui-o na chefia da Seção de Helmintologia e da Divisão de Zoologia Médica do Instituto Oswaldo Cruz. Publicou vários trabalhos científicos. Contribuiu juntamente com Travassos para a “Escola Helmintológica Brasileira”. A obra clássica em seu curriculum é Trematódeos do Brasil, do qual Lauro Travassos e Anna Kohn foram co-autores. Teve uma extensa atividade docente, como professor do Curso de Helmintologia do Curso de Aplicação do IOC, professor assistente na cadeira de Parasitologia das Faculdades Nacional de Medicina, Escola Superior de Agricultura, Medicina Veterinária, e do Instituto Hahnemaniano, no estado do Rio de Janeiro. Foi também professor de Parasitologia em Cursos de Saúde Pública no Brasil (Goiás) e no Paraguai. A partir da década de 40 assumiu a Coleção Helmintológica do IOC e foi o primeiro responsável pela manutenção e ampliação do acervo. Também participou da missão científica brasileira ao Paraguai, onde recebeu a ordem Nacional do Mérito. Trabalhava em equipe e pesquisadores como Cavalcante Proença, Herman Lent, Jayade Machado Mendonça, James Dobbin, Lins Almeida, entre outros, foram seus colaboradores em publicações. Entre seus discípulos: Paulo Bührnheim, Anna Kohn, Henrique de Oliveira Rodrigues, Amílcar Arandas Rêgo, Catarina da Silva Motta, Joaquim Júlio Vicente, Delir Corrêa Gomes e Roberto Magalhães Pinto.

Anna Kohn Hoineff

Foi a curadora de 1970 a 1976 da CHIOC. Pesquisadora que se destacou ao longo de sua carreira no estudo de Helmintos Parasitos de Peixes, principalmente dos Monogenea, Digenea e Nematoda.

  Henrique Rodrigues de Oliveira

Foi o curador de 1977 a 1981. Pesquisador que se destacou ao longo da sua carreira no estudo de Helmintos Parasitos de Vertebrados.

Delir Corrêa Gomes Maués da Serra Freire

Curadora da CHIOC de 1982 a 1989, consciente do valor do patrimônio institucional e da importância desse acervo, introduziu metodologias que preservassem e agilizassem o intercâmbio com pesquisadores nacionais e internacionais.

  Dely Noronha de Bragança Magalhães Pinto

Curadora da CHIOC de 06/1989 a 15/07/2007. Em 2007, juntamente com a Dra. Delir Corrêa Gomes Maués da Serra Freire foram as responsáveis pela obtenção de financiamento junto ao BNDES para a aquisição dos modernos armários de aço deslizantes e equipamentos, que possibilitou a mudança do acervo da CHIOC acondicionado até então em antigos armários de madeira.

Marcelo Knoff

Curador da CHIOC desde julho/2007, vem trabalhando para modernizar e adequar a CHIOC aos POPs necessários às normas internacionais de qualidade, biossegurança e ambientais, e na ampla difusão on-line das informações do acervo.

 

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